Por Marcelo Ferraz
Infelizmente o Brasil ainda não superou a influência extremista dos “socialistas” radicais, bem como do individualismo exacerbado dos conservadores de direta. Mesmo o país tendo proclamado uma Constituição Cidadã republicana que preza pelos princípios democráticos, ainda prevalece nas mentes burlescas esse muro de Berlim imaginário, que, como uma cortina de ferro ou um cabresto, divide toda nação entre as premissas fundamentalistas da esquerda ou da direta.
O debate democrático foi destituído pelo discurso de ódio em nome dos interesses particulares. Os “pensadores” contemporâneos, dessas correntes polarizadas, ao invés de tentarem desconstruir o discurso do adversário no plano das ideias, para com isso, trazer seus ideais “virtuosos” à tona, agora se transformaram em extremistas a serviço da intolerância, atacando, diretamente, a própria pessoa. Não basta desqualificar somente o discurso, mas tem que, segundo essa visão maniqueísta, atingir a honra, a imagem, a vida privada e a dignidade da pessoa.
Hoje qualquer cidadão que manifestar sua opinião contra a corrupção, imposta por alguns integrantes do Partido dos Trabalhadores, bem como contra as políticas públicas que desequilibraram a economia do país durante a vigência do mandato petista, já é taxado de “coxinha” neoliberalista a serviço do capital estrangeiro.
Por outro lado, caso o cidadão queira criticar uma concessão ou a privatização estatal indevida, ou tentar defender os diretos sociais elencando na Carta Magda de 88, ele já é taxado de comunista e membro da esquerdopata, que foi doutrinado desde quando estava na barriga da mãe dele, que por sua vez, também deveria ser uma proletária a serviço do fantasma de Stalin.
Parece ser cômico, mas não é, pois o medo do comunismo ser implantado no Brasil levou os líderes desta nação, à época, violar a liberdade de expressão, a liberdade de ir e vir e o que é pior: privar a nação de escolher seus representantes públicos. Por outro lado, após duas décadas de um regime ditatorial, o medo de viver novamente sob a tutela de militares levou uma geração inteira praticamente a odiarem os símbolos patrióticos de uma nação, como a Bandeira Nacional e as Forças Armadas do país. Aqui não vale a pena citar o número de mortos que essa guerra ideológica deixou de herança às famílias brasileiras.
Por fim, trazendo esse conflito de ideologias para atualidade, não dá para entender por qual motivo as pessoas, que saíram às ruas marchando contra o governo petista, hoje apoiam ou se omitem diante do governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB). Temer, Renan e cunha chancelaram todas as decisões da cúpula petista durante os 13 anos que o PT estava à frente do Poder Executivo.
Contudo, criticar o governo atual por querer impor um ajuste econômico que vai deformar a Constituição Federal a fim de garantir um controle de gasto público injusto e à custa da vulnerabilidade social da grande maioria dos brasileiros, não significa apoiar a volta do regime fracassado “lulista”.
O grito que clama em todo país é por uma reforma tributária justa, que venha equilibrar a balança de produção deste país. Hoje o pequeno produtor, o pequeno empresário, servidores públicos e trabalhadores da iniciativa privada em geral são massacrados pela carga tributária atual, enquanto isso, uma minoria de privilegiados desfruta dos lucros abusivos de um verdadeiro paraíso fiscal, que se tornou o Brasil.
Portanto, dizer que “os estudantes estão representando os anseios da esquerdopata”, ao reivindicarem mais investimentos para educação, ou dizer que “as nossas crianças invadem escolas só para fumar maconha”, ao lutarem contra um plano de desmonte da educação pública, isso sim significa um desrespeito desleal à história de luta de todos aqueles que verdadeiramente sonham com um país livre, justo e democrático.
Marcelo Ferraz é escritor e jornalista.

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