Mais de mil pessoas saíram às ruas neste domingo (4), na Capital, em protesto contra a corrupção no País, segundo o levantamento feito pela Polícia Militar. A concentração do ato, que iniciou às 16h, aconteceu na Praça Oito de Abril, em frente ao restaurante Choppão.
Dentre as pautas do protesto estavam o pedido da saída do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além da reclamação contra o projeto que anistia o crime de "Caixa 2" nas campanhas eleitorais.
O foco maior do ato, todavia, foi o repúdio ao pacote de medidas anticorrupção, aprovado pela Câmara na madrugada da última quarta-feira (30), que foi totalmente desvituado da proposta original. Das dez medidas propostas pelo Ministério Público, apenas quatro foram mantidas e outras três foram adicionadas pelos deputados. Uma das alterações prevê que juízes e promotores respondam por crime de abuso de autoridade.
O protesto também teve como alvo os deputados federais de Mato Grosso que votaram a favor da aprovação das medidas: Adilton Sachetti (PSB), Carlos Bezerra (PMDB), Ezequiel Fonseca (PDT), José Augusto Curvo “Tampinha” (PSD), Ságuas Moraes (PT) e Valtenir Pereira (PMDB).
Eles foram vaiados pelos manifestantes durante o ato.
O único da bancada mato-grossense a se manifestar contrário ao dispositivo foi o deputado Nilson Leitão (PSDB). O deputado Fábio Garcia (PSB) se ausentou, mas também acabou sendo alvo do protesto.
A juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, durante o ato
Mesmo debaixo de chuva, assim como ocorreu e ainda ocorre em outras cidades do país, especialmente as capitais, grande parte dos presentes vestiam as cores verde e amarela.
Os manifestantes carregavam cartazes e faixas com dizeres: “chega de corrupção, não vou desistir do Brasil”, “demissão aos políticos corruptos”, “somos todos Moro”, “aprovem as dez emendas, já”.
O manifesto em Cuiabá foi organizado pelos grupos “Brasil Livre”, “Muda Brasil”, “Direita Mato Grosso”, “Vem pra Rua”, “Avança Brasil”, “Pela Ordem”, dentre outros.
O policiamento foi feito pela PM e pelos agentes de trânsito da Capital, conhecidos como “amarelinhos”.
Entre os manifestantes estavam a juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, responsável pelas prisões de dezenas de "figurões" da política e pela autorização de várias operações contra a corrupção no Estado. Ela afirmou ao MidiaNews que foi protestar como cidadã.
“Eu vim como todo cidadão que está aqui hoje, que é pra exercer o direito de cidadania. Nós não concordamos com o desfiguramento das 10 medidas contra a corrupção. Nós queremos que a corrupção acabe, não que a lei sirva de incentivo pra os corruptos. O povo não quer esse tipo de manobra, nós precisamos criminalizar o enriquecimento ilícito. Precisamos que eles percam esse dinheiro roubado da população”, disse.
Nós queremos que a corrupção acabe, não que a lei sirva de incentivo pra os corruptos
O promotor de Justiça Roberto Turin também esteve no ato. O membro do Ministério Público Estadual (MPE) disse que apoia a punição para abuso de autoridade para magistrados e integrantes do MP, mas não da forma como foi votada pela Câmara.
“Infelizmente o Congresso Nacional não ouviu esse grito da população, de combate à corrupção. O que nós vimos foi a total desfiguração das 10 medidas. O MPE, o Judiciário e toda autoridade que se preze é contra eventuais abusos. Nós somos favoráveis, mas já tem legislação para isso”.
“O que não pode é o que aconteceu. Ser aprovada as medidas com pura retaliação, sem estudo, sem uma análise técnica, sem discussão com a sociedade e sem apoio da população”, criticou Turin.
Os manifestantes pediram ainda para que os senadores de Mato Grosso - Wellington Fagundes (PMDB), Cidinho Santos (PR) e José Medeiros (PSD) - diferente dos deputados, votem contra o texto aprovado na Câmara.
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